Retalhos

Sobre o despertar…
“É possível dar sentido para a vida? É possível o desenvolvimento do ser? Talvez sejam estas as perguntas a serem feitas.
Não digo o sentido e o desenvolvimento social, financeiro e estas coisas todas. São necessárias e fazem parte de nossa vida. Estamos inseridos no meio e temos que agir.
Digo o sentido de viver plenamente e não apenas existir para procriar e “se dar bem na vida”, ter uma varanda gourmet. Se alguém tem condição que faça. Mas que também perceba que a vida é maior que isso.
A vida nos embala para acreditar que está tudo bem e que somos eternos. Pura ilusão. Quando algo surge e de alguma maneira sacode nossas vidas percebemos a ilusão.
Se em um desses momentos começamos a desconfiar da mentira, então algo novo pode surgir.”

Sobre o quê fazer…
“Sempre é um convite. Não se trata de dizer “faça isso e terá este resultado ou faça aquilo, não faça isto”. Convidamos o indivíduo a atentar a todas as relações de sua vida, a relação consigo e as inter-relações. Viver é estar em relação. Então não se trata de fórmulas e sim de descobrimentos individuais. A importância de estar atento é a tônica, tudo o mais vem por acréscimo.
Se alguém sugere que esta atenção pode gerar um conhecimento, uma compreensão de processos, esta sugestão é um convite e aquele que, pela própria experimentação chega ao mesmo resultado, compartilha a mesma experiência. Neste momento temos a comunhão de experiências. Como posso fazê-lo compreender, por exemplo, o sabor do maracujá, sem que alguém o tenha experimentado? Ao convidá-lo a dividir o maracujá, compartilhamos o sabor. Não há o que se explicar ou teorizar. “

Sobre como fazer…
“O que se pode dizer é que se trata de um processo. Atendo à experiência, observo o processo, obtenho conhecimento, faço as correções, supero o obstáculo. O ciclo se repete, só que agora em outro nível. Dizemos que subimos o nível de qualidade da atenção e de compreensão dos processos. Esta qualificação se dá na capacidade de observar meus processos mentais, emocionais e corporais, suas relações e inter-relações. Suas sutilezas e suas contradições.”

Sobre as mudanças…
“A natureza tem horror ao vazio. Quando alguma coisa deixa de existir é por que outra tomou o seu lugar. Isso é transformação. Não existe vazio, a fila anda e você pode escolher se ela anda para cima ou para baixo. Parado você não fica. Ao atentar àquilo que me causa alguma aflição, algum incômodo e atendo e observo, meu conhecimento, minha compreensão acerca deste processo aumenta, se aprofunda. Consigo respostas, transformo o que era negativo em positivo. Me libero.”

Sobre a vida…
“Liberdade total como meta. Um passo de cada vez. Não se começa a casa pelo telhado.
Entenda que vivemos em um mundo de relações e em um mundo em que tudo é relativo. A realidade é relativa! O que é real para mim pode não ser para você. Sua realidade é diferente da minha porque nossas percepções de mundo são diferentes. Não posso teorizar sobre isso.
Se alguém tem a capacidade de perceber climas emocionais, por exemplo, pode criar um quadro mais completo da situação do que o outro. Acho que aí temos um alargamento da capacidade de ver.”

Sobre as contradições…
“O sujeito tem claro em sua mente todas as razões e argumentos de uma situação. Diversidade sexual, por exemplo, ou tolerância religiosa. Discorre sobre o tema com desenvoltura, defendendo os direitos de escolha, desde que não seja com seu filho ou filha.
A clareza da mente, não ecoa nas emoções. A ação resultante é falseada. Alguns chamam de hipocrisia. Chamamos simplesmente de contradição pelo simples fato de que este sujeito não quer ser hipócrita, muito menos “sabe” que o está sendo. Porém o resultado em si é danoso e resulta em sofrimento.”

Sobre a expansão…
“Se digo, por exemplo, que esta distância de alguns metros entre mim e você não me impede de tocá-lo o que pensará? Talvez que eu faça algum truque? Ou vai cair na esparrela fantasiosa de poderes? Posso tocá-lo sim. Assim com você me toca. A distância física não existe quando alteramos o campo de ação. Este é um exemplo de que estamos interagindo em vários níveis, porém só temos a percepção de ação direta no nível mais próximo dos sentidos, o toque físico a presença física. Alargar a percepção, expandir a consciência e toda essa lenga-lenga tem a ver com isso. O resto é conversê, misticismo barato.”

Sobre a religião…
“É assunto delicado! Fere suscetibilidades! Não existe pecado ao sul do Equador.
Se pudéssemos ter acesso às escrituras imaculadas, veríamos que são manuais, tratados psicológicos que foram trazidos à humanidade há séculos.
São vivos, são reais. O toque humano, do Midas invertido, degrada.
Não vamos nos estender. Existe o fato e a interpretação do fato”.

Sobre a autoridade…
“Exatamente. Tem a ver com a autoridade. Mais até, com autoritarismo. Isso se dá desde que, nós humanos, povoamos o planeta. Se digo que não há salvação para você além de me seguir, você certamente o fará, na esperança de escapar de algum mal, seja ele qual for. Você me deu poder. Na religião, na política, nas hierarquias sociais em geral, essa é a lei.
Quando digo de escrituras imaculadas, falo de religião interna. O poder é individual. E o mais importante: a responsabilidade é individual.
Aí vai a crítica a nossa terrível amiga preguiça: transfiro a responsabilidade da minha vida a terceiros, dando-lhes autoridade, poder sobre mim. Crio um ente superior, dotado de poderes divinos que irá reger minha conduta. Não há o que pastorear se não existir rebanho!”

Sobre a exposição…
“Existe um ciclo de manifestações, um processo de ‘boas novas’. Então surge um porta-voz do sistema, do método. Estes mensageiros são conhecidos do público.
O cenário e os atores sempre mudam, mas o roteiro é o mesmo.
O cerne da questão é  o ser humano como está e as possibilidades de ‘ser’.
Cada porta-voz do sistema estava inserido no contexto histórico e se utilizou dos meios e expressões de sua época, assim se expõe o sistema que se veste com os ‘ismos’ de seus mensageiros”.

“Todos, sem exceção, resumidamente, expuseram o problema.
Primeiro: o homem é um rascunho do ‘ser humano’. Segundo: entre o que está e o que poderia ser, existem elementos psíquicos que impedem que o rascunho seja passado a limpo.
Todos também expuseram o caminho, a solução: à medida que um se propõe a conhecer-se, estudar-se, não demora a reconhecer os elementos psíquicos e aí tem o início do processo de compreensão de si. Simples assim”.

Sobre o simples complicado…
“Sim, é a resistência do habitual, do que se manifesta sem esforço consciente. Alguns destes mensageiros contemporâneos definiram estes processos como mecânicos, outros, em seus tempos, se utilizaram de termos tenebrosos, específicos para a cultura da época.
Assim surgiram os demônios, os pecados. É infantil, mas eficaz”. (risos)

Sobre o oculto…
“Não temos mais tempo para contos de fadas ou de terror. Não temos mais tempo para mensagens cifradas, ou como se diz hoje ‘criptografadas de ponta a ponta’. A máxima de que o segredo protege a si mesmo ganha um duplo sentido quando a degradação da consciência é nítida. A verdade, mesmo esfregada em nossas faces, não é vista. Um dos mais conhecidos mensageiros disse que mesmo tendo ouvidos não ouviam e mesmo tendo olhos não viam”.

Do interno…
“Quando criança não teve aquele colega chato, da brincadeira ‘não quer comprar um pica-pau?’ (que cutucava incessantemente o seu ombro com o indicador). Pois bem, uma estrutura acomodada no sono certamente se irrita ao ser chamada a despertar, assim como seu ‘coleguinha’ te irritava com os cutucões.
Por isso este caminho não é para todos. Somente aqueles que suspeitam do engodo, da ilusão cotidiana, podem se aproximar e reconhecer o chamado”.

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